sexta-feira, 22 de maio de 2009

A DEMOCRACIA LIBANESA

*Lejeune Mirhan


Se analisarmos a política brasileira nem sempre conseguimos produzir documentos com a profundidade que desejamos, imagina tecermos uma análise da política interna libanesa. Estudamos o Oriente Médio há tempos, mas vivendo muito distante dessa realidade. Mas, apesar da complexidade, vamos nos arriscar.


O Líbano é um dos mais antigos e prósperos países árabes existentes no Oriente Médio. Viveu uma guerra civil que quase leva o país a uma divisão territorial e religiosa, a uma cantonização e que durou 15 longos anos. Inicia-se em 1975 e praticamente só é encerrada em 1990.


Não vamos aqui detalhar os atores e o processo que levou a essa guerra civil. Mas ela tem origem, por assim dizer, na imensa imigração e deslocamentos humanos palestinos na região do Sul do país, iniciados com a diáspora palestina desde 1948.


Após a fundação da OLP, os grupos mais revolucionários e de esquerda, acabaram por se transferir para o Líbano, alterando de certa forma o já frágil equilíbrio que vinha sendo mantido entre as forças políticas e as correntes religiosas desde 1943.


Nessa guerra estiveram envolvidos membros de milícias cristãs, drusas, islâmicas (xiitas e sunitas), grupos que posteriormente dividiram-se e formaram novos agrupamentos políticos. Muitos desses ainda hoje possuem forte presença no cenário político-partidário libanês.


A paz começa a se desenhar a partir de uma reunião histórica na cidade de Taif na Arábia Saudita, ocorrida em setembro de 1989. Nessa cidade, reuniram-se 62 deputados libaneses, membro do Parlamento Libanês (cujas passagens, inclusive, foram financiadas pelo riquíssimo empresário Hafic Hariri, participante desse evento e desse acordo, posteriormente primeiro ministro e assassinado em 2005).


A proposta de estabelecer os acordos de paz entre as facções libanesas, entre as correntes políticas e religiosas, acabou sendo votada por 58 votos a quatro e o referido acordo foi assinado em 21 de outubro do mesmo ano na referida cidade. Ficou conhecido como os “Acordos de Taif”.


Nele manteve-se a tradição de entregar a presidência do país a um cristão maronita (mais moderado) e houve um esvaziamento do poder da presidência. O primeiro ministro ficaria sempre com um muçulmano sunita e a presidência do parlamento ficaria sempre com um muçulmano xiita (este cargo foi ocupado por muitos anos por Nabi Berry). Com isso manteve-se uma tradição que veio do chamado Pacto Nacional Libanês de 1943.


No entanto, os grupos políticos que se digladiaram na guerra civil por 15 anos, mantiveram muitas das suas divergências após esse período. A presença da Síria, tanto na forma da influência política, como a presença militar com tropas, a pedido do governo libanês que se instaurou a partir de 1990, sempre gerou problemas políticos internos, sendo que algumas facções nunca aceitaram essa presença militar.


Na verdade o centro da questão não era a presença da Síria ou não, mas sim o alinhamento e a influência do Líbano sob a órbita dos Estados Unidos. Nem se tratava mais de alinhamento com a União Soviética, pois no ano seguinte ao acordo, em 1991, esta desabaria completamente.


Assim, o centro da questão era ser um satélite dos EUA e consequentemente de Israel ou manter-se alinhado com os povos árabes, pela soberania e independência do Líbano. Em fevereiro de 2005, o líder de correntes sunitas e ex-ministro Hafic Hariri foi assassinado.


Os oportunistas de plantão apontaram de imediato o dedo acusador para o governo da Síria, o que menos tinha interesses em que isso ocorresse. Isso, mais uma vez, rompe certo equilíbrio político existente. No entanto, esse episódio acabou por precipitar a saída das tropas sírias do Líbano. Movimentos de massa acabaram ocorrendo, protestos e no processo eleitoral, as forças mais conservadoras venceram as eleições. O Movimento “14 de Março”, liderado pelo filho do ex-primeiro ministro assassinado, Saad Hariri, acabou constituindo maioria no parlamento e a oposição ficou sendo liderada pelo Partido de Deus, chamado Hezbolláh, cujo líder é o xiita Hasan Nasralláh. Esse é o período que se chama de Revolução dos Cedros.


Bem ou mal, nos últimos anos, se contarmos de 1990 em diante, podemos dizer que o Líbano vive uma democracia estável, ainda que cheio de problemas. A liberdade partidária é ampla. Estima-se a existência de cem partidos políticos legalizados e aptos a concorrerem a um cargo eletivo. Apenas três partidos políticos são proscritos no Líbano (Guardiões dos Cedros; Partido Isolacionista Regressivo e Movimento Islâmico Amal, todos de extrema direita) (1).


Não quero aqui fornecer dados sobre as eleições de outros países árabes, como o Egito, Síria, Líbia, Tunísia, Argélia e mesmo Iraque (na época de Saddam), que são Repúblicas, mas cujas eleições seus presidentes sempre venceram as eleições com índices que chegam a 99% dos votos válidos.


No Líbano isso jamais ocorreria, pela pluralidade política e ideológica que o país vive e mesmo pelas diferenças de correntes de opinião e religiosas existentes (é também uma república parlamentarista e o presidente é eleito indiretamente pelo parlamento). Por isso mesmo que o Hezbolláh não defende a instauração de uma República Islâmica no Líbano, porque isso nunca seria viável.


O QUADRO POLÍTICO ATUAL


Apesar da profusão de partidos políticos (e há quem acha que nós no Brasil temos muitos partidos... apenas 27 para um parlamento com 594 cadeiras, sendo 513 na Câmara e 81 no Senado; no Líbano são 128 vagas na Câmara, não possuem senado e têm cem partidos!), formaram-se duas grandes coligações partidárias que concorrerão ás eleições.


São várias as correntes que participam do pleito e podem ser assim definidas: sunitas (pró-imperialistas e antiimperialistas); socialistas (conservadores, só no nome ou mais de esquerda); nacionalistas libaneses (direita) e nacionalistas sírios (de centro-esquerda); liberais (de direita) e social-liberais (direita); reformistas (de direita); federalistas; centristas; xiitas (antiimperialistas); nacionalistas árabes e nasseristas (patrióticos, de centro-esquerda); social-democratas (de direita); comunistas (todas as correntes existem vários que se proclamam comunistas, sendo que o maior de todos é o PC Libanês).


Sobre essas correntes, queremos tecer alguns comentários dentro dos blocos que a compõem.


1. Coligação “Aliança 14 de Março”


O nome deriva da data da chamada “Revolução dos Cedros”, no período que compreende o assassinato de Hariri em 14 de fevereiro e 14 de março de 2005, data de um mega comício feito em resposta ao também mega comício realizado em 8 de março pelo Hezbolláh. É o campo da direita e extrema direita. Possuem entre eles falangistas, drusos, maronitas entre outros.


Esta coligação possui hoje 64 deputados e tem o primeiro ministro Fouad Siniora (sunita). O líder é Saad Hariri, filho de Hafic. O Partido principal que encabeça a coligação é o Movimento Futuro e possui hoje sozinho 34 deputados. São seculares, mas majoritariamente sunitas e pró-imperialistas. Dessa coligação/aliança participam outros partidos importantes: Partido Socialista Progressista, cujo líder é Walid Jumblat, filho de Kamal Jumblat que, no passado, jogou papel importante, mas hoje se alinhou ao campo conservador; Forças Libanesas (extrema direita, cujo líder é Samir Geagea); Bloco de Trípoli e Democracia Radical. Ao todos, esse bloco possui 20 partidos e/ou movimentos. Regra geral, esse campo, apesar de possuir a maioria no parlamento, é do campo conservador. Pode-se dizer que se alinham ideologicamente à direita. Ao todo a aliança possui 20 partidos e movimentos registrados. Eles pretendem manter o controle do governo, com a indicação do futuro primeiro Ministro, que deve ser sempre um sunita.


Na sua recente passagem pelo Líbano, a (desastrosa) Secretária de Estado dos Estados Unidos, cujas declarações tem sido muito ruins e que destoam do que o próprio presidente Obama tem falado, ela acabou por apoiar, de certa forma essa Aliança, ainda que não possa dar uma declaração de apoio total, pois além de ser ingerência interna na política de outro país soberano (ou que luta pela sua soberania), isso poderia tirar ainda mais votos dessa coligação.


Não temos acesso a pesquisas eleitorais, mas há indicadores de muito desgaste nessa aliança, na forma como o desastroso governo vem conduzindo o país. No bombardeio que Israel fez ao Líbano entre julho e agosto de 2006, esse agrupamento pouco fez para defender a soberania libanesa. A resistência foi encabeçada pelos militantes do Hezbolláh, que angariaram amplo prestígio na sociedade.


2. Coligação “8 de Março”


O nome deriva de um imenso comício realizado em 8 de março de 2005, quando mais de um milhão de pessoas foram às ruas de Beirute para agradecer a presença da Síria no Líbano, que acabava de se retirar. Aqui cabe o registro que o general cristão Michel Aoun, ainda que tenha integrado o campo mais conservador num primeiro momento, e que sempre foi anti-Síria quando esteve exilado na França por 15 anos, mas em 2006 muda de posição e integra esse campo oposicionista.


Assim, os principais líderes desse bloco, dessa Aliança são: Movimento Patriótico Livre, do general Aoun (cristão, mas oficialmente secular); Hezbolláh (xiita), cujo líder é Hassan Nasralláh; Movimento Amal (xiitas, mais moderados), cujo líder é Nabih Bérri. Há ainda a presença de cristão maronitas, armênios, seculares entre outros. Destaca-se aqui o Partido Comunista Libanês, cujo líder é Khaled Hadadi; a Liga dos Trabalhadores que se proclama comunista e nacionalista árabe União da Juventude Democrática Libanesa ligada ao PC Libanês. Esses agrupamentos não possuem deputados. Ao todo essa aliança tem hoje 56 deputados no parlamento e luta para fazer a maioria e governar o país. Ao todo, são 39 partidos e/ou movimentos e grupos que integram essa aliança. Registre-se a presença ainda do pequeno, mas com dois deputados Partido Socialista Árabe Baath e do Partido Nacional Social Sírio, com dois deputados e cujo líder é Assad Hardan.


ANÁLISE E PERSPECTIVAS


Por esses dados, vemos que os dois maiores blocos que disputam as eleições, são integrados por 59 partidos políticos e/ou movimento e agrupamentos. Outras organizações político-partidárias perfazem mais 41 partidos, que possuem um deputado apenas e praticamente não tem chances de eleger parlamentares (a conta não fecha em 128 porque alguns deputados e partidos não concorrem às eleições).


A complexidade das eleições se explicam pelos acordos, tanto de Taif de 1989, incorporados à constituição de 1990, como pelos acordos assinados no ano passado, da qual todas as forças políticas dele participaram. Ficou conhecido como Acordos de Doha, assinado em 21 de maio de 2008, por iniciativa do Emir do Qatar, Hamad Bin Khalifa Al Thani. Por esse acordo, ocorre praticamente uma divisão de vagas no parlamento libanês entre as correntes religiosas. Foi a partir desse acordo é que foi possível eleger o general Michel Suleiman, presidente do Líbano.


Como dissemos, não temos acesso às pesquisas de opinião sobre os blocos em disputa. Mas além do desgaste de ser governo da Aliança “14 de Março”, houve um fato semana passada que chamou a atenção tanto do povo libanês como da comunidade internacional que acompanha essas estratégicas eleições.


A libertação de quatro generais ligados à inteligência libanesa, que ficaram presos por quatro longos anos sob a acusação – falsa – de terem conspirado para matar Hafic Hariri. O tribunal da ONU especialmente formado para apurar os episódios – que comentamos no mesmo ano de 2005 sobre esse assunto, que violou a soberania libanesa – determinou a libertação destes generais por absoluta falta de provas. Isso fortalece imensamente o campo oposicionista.


A grande mídia vai falar que o bloco “8 de Março” é ligado á Síria e ao Irã. Vão querer confundir os eleitores. A mudança de agenda – sinalizada inclusive pelo governo fascista de Israel – de querer discutir o Irã e seu programa nuclear (pacífico) ao invés de discutir a questão palestina, não dará certo. Não vai colar, pelo menos entre os libaneses. Estes estão vendo que é muito mais benéfico ser amigo e aliado da Síria e do Irã do que dos Estados Unidos e de Israel!


O que estará em jogo nestas eleições será a soberania do Líbano, defendida hoje com firmeza pelos xiitas do Hezbolláh de Nasralláh, pelo PC Libanês de Hadadi, pelos cristãos ligados ao Movimento Patriótico Livre do general Aoun e pelos xiitas do Amal, de Bérri. Não há mais do que dois campos em disputa.


O outro lado, o outro campo é do imperialismo, ainda que possa ter siglas que se digam “socialistas” ou “democracia radical” ou ainda “democracia de esquerda”. Pura fraseologia de fachada dita progressista, mas que escondem interesses dos mais escusos e reacionários possíveis.


Um governo progressista a ser eleito em 7 de junho reconhecerá de imediato a legitimidade do Hezbolláh como movimento armado de libertação e de luta pela soberania e independência do Líbano. Espera-se que nunca mais o país possa estar sujeito às invasões perpetradas por Israelcomo “terroristas”, mas como deveriam ter sido sempre tratados: como lutadores pela independência nacional, comocomo grande parte da mídia os trata. em sua fronteira Sul, ainda parcialmente ocupada pelo exército israelense.


A Síria será tratada como sempre deveria ter sido tratada: como país irmão do Líbano, país árabe milenar, soberano e que defende a unidade árabe, contra as políticas imperiais, coloniais e sionistas na região. Guerrilheiros e lutadores libaneses da resistência não mais serão tratados patriotas e defensores da nação árabe e libanesa. São amigos do povo libanês e não inimigos.


Tratar o Irã como inimigo é o maior erro que o governo libanês e seus aliados fazem no momento, como o governo de Israel. Esse país já cansou de propor que todo o Oriente Médio seja desnuclearizado. Isso afetaria profundamente Israel, que é uma das nove nações do mundo a ter bombas nucleares e isso as potências ocidentais nada falam a respeito.


Não adianta – e não colará na propaganda interna do Líbano – a tentativa de demonização que Israel vem fazendo do Irã, como diz o professor Franklin Lamb (2). Este estudioso das questões libanesas menciona uma recente pesquisa onde apenas 46% declararam que a “religião é extremamente importante para mim”, apesar de toda a divisão religiosa estabelecida.


Na mesma pesquisa, 90% dos muçulmanos disseram respeitar as ideias dos cristãos libaneses. Ou seja, fica claro uma elevação da consciência política do povo e dos eleitores libaneses e que colocá-los contra o Hezbolláh, vinculando esse grupo ao Irã não irá influenciar o seu voto nas eleições. O libaneses sempre souberam conviver com as diferenças e as diversidades. Os muçulmanos em sua história também. Como sempre disse, o problema não é e nunca foi religioso, mas sim político, tanto no Líbano como na palestina.


No discurso de posse de Netanyahu ele disse algo mais ou menos assim, como sinalização de mudança clara de agenda, escondendo que a questão central é a criação do Estado Palestino: “o maior de todos os perigos para Israel e para toda a humanidade esta na possibilidade de surgir um governo radical armado com bombas atômicas”.


Ora, é sabido que o arsenal israelense possui entre 250 e 400 ogivas nucleares e o atual governo é o mais fascista e direitista de toda a história de 61 anos de Israel (a completar em 14 de maio próximo). Terá sido uma confissão que Bibi fazia de seu próprio governo? Que libanês vai acreditar que o Irã é inimigo do Líbano na conjuntura atual?


Não tenho bola de cristal para prever resultados eleitorais. Mas, suspeito seriamente que a coligação “8 de Março”, de centro-esquerda, patriótica e nacionalista, progressista, sagrar-se-á vencedora. A Aliança “14 de Março” deve sair derrotada nas urnas.


O que precisa ficar claro de uma vez por todas é que o Irã só é inimigo do sionismo, do racismo do governo de Israel, que discrimina os palestinos e os muçulmano em seu estado de caráter judeu.


Acho que os libaneses devem estar atentos, mais do que nunca, à eventuais provocações, criação de factóides políticos que podem embotar as eleições. A seguir o rumo atual, a direita deve perder as eleições.


Não me cabe fazer escolhas nestas eleições, pois sou brasileiro. Isso é uma atribuição exclusiva do povo e dos eleitores libaneses. Apenas me cabe “torcer” por assim dizer.


Espero, sinceramente, que nestas estratégicas eleições – que a mídia brasileira ainda ignora completamente – vençam os que defendem um Líbano progressista, soberano, verdadeiramente independente, dono de seus destinos, que reforce a sua vocação árabe e que esteja sempre unido e irmanado com todos os países e com o povo árabe no Oriente Médio. Esse é meu desejo sincero neste momento.


Até junho voltaremos mais a este tema.


Notas


(1) Não confundir Movimento Islâmico Amal, com o Movimento Amal, que tem 15 deputados e é de linha antiimperialista e contra Israel.

(2) Atualmente pesquisador sobre o Líbano e o seu artigo pode ser lido em http://www.counterpunch.org/lamb04172009.html cujo título é Iran Offers More Than Just Cash (O Irã oferece mais do que apenas dinheiro). Aqui se comenta que pode ajudar mais o Líbano, se Estados Unidos ou o próprio Irã.


*Lejeune Mirhan, Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Escritor, Arabista e Professor Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological


sexta-feira, 15 de maio de 2009

O PAPA É BEM-VINDO, MAS...

Khalid Amayreh (de Jerusalém Leste)

A hospitalidade é traço característico da alma árabe-muçulmana. O Papa Bento 16 foi recebido com o respeito que merece como líder de centenas de milhões de católicos romanos, muitos dos quais lutam ao lado dos muçulmanos e rejeitam as políticas e práticas criminosas da entidade sionista.

O recente ataque genocida contra os palestinos reduzidos à miséria e cercados em Gaza foi apenas mais um exemplo da ação criminosa dos israelenses, crimes comparáveis às práticas mais violentas de todas quantas a história conheceu.

Entende-se que o Vaticano não se possa manifestar com clareza, por várias razões. O Vaticano é entidade político-religiosa, da qual se espera que manifeste as vozes de uma gama muito ampla de diferentes povos, cada um deles com seu regime e sua orientação política, muitas vezes discordantes uns dos outros.

Mesmo assim, deve-se esperar que, como líder espiritual dos católicos, o Papa denuncie, com equilíbrio, mas com firmeza, atos e comportamentos que Cristo teria denunciado. O sofrimento dos Palestinos e a reação que desperte em cada homem, em cada mulher do mundo inteiro, é como o teste crucial para a constituição moral de todos Estados, inclusive, é claro, do Vaticano.

Infelizmente, a atitude do Vaticano, no que tenha a ver com a Palestina, não foi consistente com os ideais cristãos – que ensinam solidariedade e amor aos mais fracos e oprimidos.

A visita do Papa aos territórios ocupados da Palestina é visita que não se pode comparar a nenhuma outra. Essa é a terra na qual, há 61 anos, a Europa implantou Israel, a ferro e fogo, como Estado ocupante em território habitado. Assim a Europa autorizou os filhos do holocausto a praticarem outro holocausto, a assassinar, a roubar, a expulsar os palestinos da própria terra. Assim se criou a diáspora palestina, por todos os cantos do planeta.

Os palestinos não esperamos que o mais alto sacerdote da igreja católica do mundo desfaça a Declaração de Balfour, ou faça o milagre de fazer a história voltar atrás. Mas, sim, esperamos que o Papa aja e fale de modo que respeite os ideais e princípios que proclama e que devem reger também sua vida, seja pública seja privada.

Hoje, não há homem ou mulher em todo o mundo que não tenha olhos para ver, ouvidos para ouvir e cérebro para entender e avaliar que Israel comete todos os tipos de crimes contra os palestinos – sejam muçulmanos sejam cristãos.

De fato, Israel comete crimes também contra o povo judeu, ao converter tantos judeus em assassinos viciosos, ladrões de terra, destruidores de casas e mentirosos compulsivos.

Em Gaza, Israel, em ação coordenada com muitos, em todo o mundo, impõe, já pelo terceiro ano consecutivo, um cerco-bloqueio de características nazistas, contra povo pobre e atormentado, cuja única 'culpa' é o desejo de resistir à violência e lutar pelo direito de viver em sua terra, povo que é obrigado a lutar para salvar a própria humanidade todos os dias, e que todos os dias é condenado novamente à morte, seja por falta de remédios ou de água ou de comida, seja sob as balas dos fuzis de Israel.

Há poucos meses, o mundo viu, chocado, as imagens de morte e terror e a destruição inimaginável em tempos civilizados do povo pobre de Gaza, atacado pela infernal máquina de guerra israelense.

Israel matou e matou e matou até que os brutais assassinos sionistas satisfizeram, por algum tempo, a sede satânica de sangue de inocentes. Feito o que vieram para fazer, os assassinos declararam que não tinham intenção de fazer... o que, se não quisessem fazer, não teriam feito.

Os assassinos diretos, os executores e carrascos são soldados e oficiais de Israel, infelizes envenenados pela doutrina sionista mortífera que ensina que não-judeus seriam não-humanos, vidas não santificadas, menos que algum animal sagrado.


Mas há co-assassinos, conspiradores aos milhares, muitos dos quais se dizem muçulmanos ou cristãos, e que também se afogam em sangue inocente e traem o dever moral humano de condoer-se dos mais desgraçados, dos mais esquecidos, dos que vivem a dor infinita de habitar os campos de concentração chamado Faixa de Gaza.

Pouco erra quem diga que todo o mundo é cúmplice nos crimes que se cometem contra Gaza. Essa vergonha monumental será longamente lembrada como um dos momentos em que a humanidade fracassou de modo mais gigantesco. Não são crimes 'contra muçulmanos'. Na Cisjordânia, Israel comete os crimes mais repugnantes tanto contra muçulmanos quanto, igualmente, contra cristãos.

Em Jerusalém, sucessivos governos israelenses reduziram uma cidade santa de cristãos e de muçulmanos, a ghetto de miséria e desgraça. Isso, enquanto Israel prepara-se para destruir toda a região em torno de Jerusalém, cidade ocupada, para tentar obrigar o maior número possível de não-judeus a emigrar para não morrer de fome.

Belém, onde nasceu Jesus, já foi convertida em campo de concentração de prisioneiros palestinos, graças ao muro do apartheid, muro nazista, estrutura mais feia que o mais feio monumento à incapacidade humana para praticar a bondade.

O massacre de Belém, pelos israelenses, o estrangulamento econômico e psicológico dos filhos de Belém, já obrigou muitos cristãos a emigrar para a Austrália, para a Europa, para a América do Norte.

Tudo isso é muito triste. Difícil imaginar o que pensam os cristãos de todo o mundo quando se olhem ao espelho e vejam que sua atitude em relação a Israel – o discurso da paz a qualquer preço, por exemplo – é instrumento que pressiona também os cristãos da Palestina a deixar sua casa, sua terra, para fugir da selvageria de Israel.

De lamentar muito, portanto, que enquanto o Papa visita Jerusalém e reza nos locais sagrados para os cristãos, como na Igreja do Santo Sepulcro, os palestinos cristãos que vivem ali, a apenas poucas centenas de metros, sejam proibidos de rezar onde seu Papa reza.

E o mesmo se pode dizer sobre os milhões de muçulmanos palestinos que não podem ir a Jerusalém, porque Israel impede que a cidade abra-se para católicos e muçulmanos, e quer fazer de Jerusalém monopólio dos judeus.

Não há, portanto, em Israel, a liberdade religiosa sobre a qual a entidade sionista mente sempre.

Por isso os palestinos – cristão e muçulmanos – esperavam que o Papa dissesse ao governo de Israel que o Vaticano como Estado, e o Papa como líder moral dos católicos, não mais tolerarão o sofrimento que a entidade sionista impõe a todos os palestinos não-judeus.

O Vaticano não é poder militar e não faz milagres. Não pode, portanto, curar todas as feridas do mundo. Mas o Vaticano pode usar sua influência contra o mal e o pecado e a favor do respeito à dignidade humana de todos os homens, mulheres, crianças do mundo; também, é claro, a favor do respeito à dignidade humana dos homens, mulheres e crianças que habitam a Palestina ocupada.

Para fazer isso, o Vaticano terá de não se deixar enganar pelas mentiras dos israelenses, que sempre mentem quando falam em paz.

Nenhum Estado que construa colônias em território ocupado é Estado que trabalha pela paz.

Estado que construa colônias em território ocupado, que viole abertamente a legislação internacional – que viole inclusive suas próprias leis! – não é interlocutor confiável para construir a paz. Israel é Estado criminoso. Tem de ser tratado – também pelo Vaticano – como o mundo civilizado aprendeu a tratar Estados criminosos.

PROPOSTA IMORAL

Nos vários discursos que fez durante a viagem pelo Oriente Médio, o Papa Bento XVI repetiu diversas vezes a palavra "paz" e pediu o fim dos conflitos naquela região.


Porém, parece que a mensagem do líder religioso não foi entendida pelo terrorista racista judeu, Benjamin Netanyahu, atual primeiro-ministro do Estado nazista de Israel.

Dentro de um convento, Netahyahu fez uma proposta, digamos assim que satânica, ao pedir para que o Papa se juntasse aos esforços israelenses de sabotarem o Irã.

Israel tem reclamado das declarações do atual presidente do iraniano que manifestou a intenção de que Israel fosse destruída.

Os terroristas judeus esquecem, contudo, que estas declarações foram dadas em resposta as constantes ameaças que eles, os terroristas judeus, fazem de que vão agredir o Irã por causa de seus programa nuclear para fins pacíficos e desestabilizar aquele país.

Além disso, os judeus destruíram e continuam a destruir o que resta da Palestina, incluindo, a política criminosa e racista de judaização da cidade de Jerusalém, com a expulsão de sua população árabe.

Atualmente, há várias decisões ilegais de despejo de árabes de suas casas e propriedades expedidas pelo usurpadores judeus como forma destes últimos tomarem o controle definitivo da cidade sagrada para as crenças monoteístas.

TERRORISMO JUDAICO NA PALESTINA

O Papa deveria ser claro em condenar o terrorismo judaico e as bárbaries que os judeus cometem inclusive contra os cristãos palestinos.

Só dizer que apoia a criação de um Estado Palestino não é suficiente. É preciso condenar o racismo e o terrorismo de Israel. É preciso também não cair na lábia dos ratos sionistas que estão estimulando agressões contra os iranianos.

Se não for assim, a paz que Bento XVI tanto pronunciou não passará de uma simples palavra jogada ao vento.

PROPAGANDA DO MAL

Até entendo a peregrinação religiosa do Papa Bento XVI no Oriente Médio. Mas, não entendo como aquele que se diz representante de Jesus Cristo (que lutou contra os opressores e apoiava os oprimidos), aceita se encontrar com terroristas assassinos como Benjamin Netanyahu e Shimon Peres.


O Papa não pode ignorar os crimes que estes terroristas fizeram na Palestina e no Líbano.


Muitas pessoas no mundo inteiro se perguntam como é que o Papa, líder de uma fé que defende a preservação da vida, pode aceitar apertar a mão destes assassinos que são responsáveis pela morte de tantas crianças e mulheres. Sem dúvida nenhuma, este foi o ponto negativo de Bento XVI ao Oriente Médio.


Já para os terroristas sionistas, a visita do Papa foi uma oportunidade para embelezar a imagem feia de Israel e acobertar seus crimes e atrocidades.


Oportunidade para propagar a falsa imagem de que há liberdade religiosa em Israel, onde muçulmanos são proibidos de rezarem em um dos seus principais templos, a Mesquita de Al-Aqsa, a qual os racistas judeus querem destruir. Vários templos muçulmanos já foram destruídos desde a criação de Israel, em 1948, e outros tantos foram profanados pelos criminosos israelitas.


É lamentável que o Papa tenha se sujeitado a ser usado como instrumento de propaganda para os terroristas sionistas.


Para finalizar, é bom lembrar que no giro pelo Oriente Médio, o Papa não se encontrou com as verdadeiras lideranças religiosas muçulmanas.


Dizer que a visita do Papa vai incrementar as relações com o mundo islâmico não procede. Infelizmente, na agenda do Papa não tinha espaço para encontros com a liderança muçulmana. Só tinha espaço para se encontrar com genocidas e assassinos judeus.


Creio que a visita do Papa não terá o efeito esperado. Nem tampouco mudará a situação desta conflituosa região do Oriente Médio.


sábado, 9 de maio de 2009

POR QUE OS MUÇULMANOS NÃO COMEM CARNE DE PORCO?

“Homens!

Comei dos alimentos lícitos

e bons que há sobre a terra

e não sigais os passos do Demônio!

Ele é para vós um inimigo declarado.

Ordena-lhes o mal e o desonesto

e que digais contra Deus

o que não sabeis”.

(Alcorão Sagrado, 2: 168-169).

O Islã é uma religião racional. Todos os seus princípios e mandamentos estão baseados em uma profunda racionalidade.

O Islã demonstra que o homem é inocente ao nascer, que o bem e o mal se aprendem gradualmente. O Islã ensina que se devem alcançar as virtudes e evitar costumes que arrastam à perversão, uma vez que o bem e o mal estão no homem, de acordo com a educação que recebe e o meio-ambiente em que se desenvolve sua vida cotidiana.

O ser humano possui desejos naturais, que se referem ao alimento, à necessidade de sono e de sexo; também tem sentimentos naturais, por exemplo, felicidade, rancor, dor, amor, temor, fastio e avareza.

Esta última é originada pelo instinto de posse. Um instinto insatisfeito alimenta a inveja e, eventualmente, ambas suscitam o egoísmo.

O Islã, não obstante, não recomenda que se eliminem estes sete sentimentos, como o fazem outras religiões, senão que oferece um método para controlá-los, porque enquanto o homem viver, eles existirão. Eles são semelhantes ao motor de um veículo: o condutor é quem deve controlá-los e guiá-los a metas úteis. A educação islâmica é a guia do homem em direção ao bem.

A proibição de comer porco no Islã constitui um grande salto adiante na história da evolução humana. Considerando que o sangue é, virtualmente, nossa corrente vital e que tudo o que consumimos afeta, em última instância, nosso sistema sanguíneo, é necessário selecionar nossos alimentos. Resulta evidente que o homem de concepção revolucionária mais avançada é aquele que mais cuidadosamente seleciona seus alimentos.

Sabemos que no passado, alguns povos da África foram antropófagos. Alguns aborígenes do arquipélago malaio e certos povos de Borneu e Nova Guiné não sabem distinguir os alimentos: ingerem víboras, vermes, ratos e tudo o que esteja ao seu alcance.

Na atualidade, a evolução da natureza humana não se limita à abstenção da carne de porco, mas compreende, também, a carniça e a carne de caça, ainda que sejam de vacas, cordeiro ou galinhas. Isto está proibido pelo Islã.

Aparte o que foi exposto até aqui, os muçulmanos rechaçam a carne de animais predadores, como o leão, tigre, leopardo, víboras, gatos, cachorros, ratos, etc., considerados dentro das Leis Islâmicas como animais impuros.

Esta proibição está baseada no desejo de purificação da própria natureza, já que o alimento, uma vez ingerido, não entra apenas no intestino e se converte em excremento; é absorvido e metabolizado no sistema e circula por todas as partes do corpo humano, incluindo o cérebro e isto, de uma maneira não insignificante, por certo, afeta a natureza do homem. Disse o Imam Ali (a.s.): “O estômago é a porta de todos os males”.

O Islã permite aos muçulmanos ingerir carne pura e não proíbe nem estimula ninguém a converter-se em vegetariano. Alguns argumentam que se o porco é alimentado com nutrientes sãos, pode-se, então, consumir sua carne.

A resposta para esta controvérsia é a seguinte: pode-se alimentar um porco com uma lavagem saudável, mas não se pode mudar sua natureza, um porco é um porco, não pode sofrer variantes por meio de enxertos, como uma planta.

O porco é, por natureza, preguiçoso e indulgente no sexo. Desgosta-lhe a luz do sol e ele carece de energia para lutar. Come quase tudo o que encontra ao seu redor, sejam excrementos ou qualquer imundice.

De todas as carnes de animais, o porco constitui-se no principal receptor de germes daninhos e é o principal reservatório para a infecção humana. Ademais, a porcentagem de gordura no porco é muito maior que em qualquer outra carne: 91%, contra 56% no cordeiro e 35% na de gado vacum.

Pode-se fazer uma experiência em carnes: tomem-se três pedaços de carne de igual idade e tamanho, um de porco, outro de vaca e um terceiro de cordeiro; exponham-se todos ao sol. O de porco será o primeiro a apodrecer, vindo em seguida o de cordeiro e finalmente o de vaca.

Algumas vezes, a carne de vaca seca sem chegar a apodrecer. Mas, se colocamos os mesmos pedaços de carne em um recipiente e os colocamos para cozinhar, o de porco será o último a cozinhar e ninguém pode garantir que não existam germes daninhos na carne cozida.

De acordo com investigações médicas, requerem-se três horas para a digestão da carne de cordeiro e de vaca; por sua vez, necessitam-se cinco horas para a do porco.

Proliferam tantas plantas que são comestíveis: algumas podem curar enfermidades, outras são venenosas e causam a morte. De igual maneira, existem carnes daninhas para o homem, como a do porco, cujo efeito tóxico está latente e com o transcurso dos anos degenera em sérias enfermidades.

FONTE: IBEI


segunda-feira, 4 de maio de 2009

GRUNHIDO SIONISTA

A canalha sionista e os defensores do terrorismo judaico e atrocidades de Israel estão de prontidão para tentar tumultuar a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na próxima quarta-feira, ao Brasil.


Prometem fazer barulho para sensibilizar o presidente Lula a não receber o líder iraniano. Para sabotar a visita de Ahmadinejad, que vem acompanhado da maior delegação que o Irã já levou a um país, os apoiadores do nazismo judaico se utilizam dos argumentos mais rídiculos para justificar seus atos hostis contra o povo iraniano.


Acusam o presidente Ahmadinejad dos mais variados crimes com o intuito de distorcer a realidade. Com as distorções, pretendem beneficiar Israel, que tem cometido as piores atrocidades que a humanidade tem visto nos últimos tempos contra o oprimido povo da Palestina.


Dizem que Ahmadinejad, que foi eleito pelo voto direto em uma eleição limpa, é um "ditador" que viola os "direitos humanos", "persegue evangélicos e judeus", "agride as mulheres", não respeita Israel que acusa de ser uma entidade racista e porque disse que o Holocausto foi usado para justificar a criação de Israel e a opressão aos palestinos.


Como são cínicos. Levantam estes argumentos para zombar dos brasileiros, um povo que os sionistas consideram ignorante.


Sionistas distorcem


Como já disse anteriormente, Ahmedinejad foi eleito em uma eleição democrática com ampla participação popular. Portanto, não pode ser chamado de ditador.


Outra mentira é a acusação de que o governo do Irã persegue evangélicos e judeus. A Constituição iraniana garante aos dois grupos religiosos liberdade para expressar suas respectivas crenças no Irã. Seus templos são respeitados e jamais foram profanados como acontece com os templos religiosos muçulmanos em Israel e em países evangélicos.


Ahmadinejad jamais destruiu uma sinagoga ou igreja evangélica, diferentemente dos terroristas judeus e norte-americanos evangélicos que já destruíram dezenas de mesquitas e igrejas na Palestina, Líbano, Iraque, Egito e Afeganistão.


Este falso argumento utilizado pelos sionistas é para desviar a atenção para a maneira respeitosa que o Irã trata seus cidadãos judeus e evangélicos.


Nas duas vezes em que visitou os Estados Unidos, Ahmadinejad visitou sinagogas de judeus não sionistas. Fez as visitas para mostrar respeito aos verdadeiros judeus que não têm vínculos com aqueles criminosos judeus que cometem bárbaries na Palestina.


Responsáveis pelos assassinatos covardes de milhares de mulheres na Palestina e no Líbano, muitas delas grávidas, os terroristas judeus tentam posar de defensores dos direitos das mulheres.


Ahmadinejad jamais perseguiu ou agrediu nenhuma mulher. Pelo contrário, hoje, a mulher iraniana tem mais acesso as universidades do e ao mercado de trabalho que na época que o Irã era governado pela monarquia do Xá Reza Pahlavi, um aliado dos Estados Unidos.


A mulher está presente hoje em todos os campos da sociedade iraniana, seja, na política, na economia, no esporte, na literatura, no cinema e no campo social.


A mulher iraniana tem tido papel de destaque não só na construção da República Islâmica do Irã como na realização de vários trabalhos sociais em muitos países muçulmanos. Os judeus sionistas sabem disso. Mas ficam pegando um ou outro caso de mulheres que foram condenadas pela Justiça iraniana (a qual Ahmadinejad não possui nenhuma autoridade) para dizer que as mulheres sofrem repressão.


Os judeus são também violadores dos direitos das mulheres e não possuem moral para acusar ninguém. Fora o fato de que olham para as mulheres como objetos sexuais. Os casos de violência sexual cometidos pelo exército israelense e pela classe política judaica foram amplamente mostrados pela imprensa.


Quanto a acusação de que Israel é uma entidade racista, não preciso nem perder o meu tempo. Os fatos estão aí. O mundo inteiro é testemunha da maneira nazista e racista que os palestinos são tratados pelos judeus israelenses. Ahmadinejad não mentiu. Tentam execrá-lo por ter falado a verdade quando disse que o Holocausto foi e ainda continua sendo usado para oprimir o povo da Palestina.


Países Soberanos


A República Islâmica do Irã e a República Federativa do Brasil são países independentes e soberanos. O povo e o governo brasileiro não podem aceitar jamais que um bando de canalhas sionistas e seus aliados que dão total apoio as atrocidades que Israel comete no mundo, venham a sabotar as relações entre esses as duas gloriosas nações.


Cabe ao presidente Lula não ceder as pressões. Os interesses bilaterais são mais importantes, uma vez, que Lula e Ahmadinejad estão presidentes e um dia vão passar. Porém, as relações entre Brasil e Irã permanecerão.


As relações com o Brasil tendem a aumentar depois da visita de Ahmadinejad, fortalecendo ainda mais os vínculos do Irã com a América Latina, onde os iranianos, apesar das objeções norte-americanas, possuem boas relações com praticamente todos os países, em especial, com a Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Equador e Cuba.


Relações estas que extrapolam o lado comercial. São parcerias políticas em busca de um mundo mais justo, multipolar, unido contra a pobreza, as desigualdades e as políticas colonizadoras modernas, utilizando as palavras do embaixador iraniano no Brasil, Mohsen Shaterzadeh.


Portanto, não é de estranhar a gritaria dos apoiadores do terrorismo de Israel. Procuram manchar a imagem do Irã, porque os iranianos formam uma nação soberana e independente que se recusa a se vender para o terrorismo judaico e norte-americano.


Mais do que isso, o Irã está na vanguarda em defesa dos palestinos e na luta contra a entidade nazista de Israel. Ensina ao mundo o verdadeiro significado de independência quando resiste e não as pressões no que refere ao seu legítimo programa nuclear para fins pacíficos.


Como diz o ditado: os cães ladram e a caravana passa.


domingo, 3 de maio de 2009

EMBAIXADOR VÊ AFINIDADES ENTRE LULA E AHMADINEJAD

O embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, disse que existem "afinidades políticas" entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. De acordo com ele, essas semelhanças "justificam a aproximação" entre os dois países. Ahmadinejad visitará o Brasil na próxima quarta-feira, dia 06.

"Essas semelhanças se encontram, por exemplo, na ideia de justiça social, no combate à pobreza e na luta contra políticas colonizadoras modernas", disse o embaixador à BBC Brasil.

Ainda de acordo com Shaterzadeh, os dois presidentes têm ideias semelhantes no sentido de criar "uma nova ordem mundial".

Em sua visita ao Brasil, Ahmadinejad será acompanhado por uma comitiva de 200 pessoas - o maior grupo que já acompanhou o presidente iraniano ao exterior, segundo a embaixada.

A visita vem sendo articulada há mais de dois anos. A proposta surgiu em janeiro de 2007, quando Lula e Ahmadinejad se encontraram no Equador, para a posse do presidente Rafael Correa. Até o final do ano, o presidente brasileiro deverá visitar Teerã.

Países 'fortes e influentes'

Na avaliação de Shaterzadeh, esse é o início de uma "nova etapa" na relação entre os dois países. Segundo o embaixador, a aproximação entre Brasil e Irã deve ser lida no contexto de uma "nova ordenação mundial".

"A fase do unilateralismo passou. E nesse novo mundo, baseado na ideia do multilateralismo, muitas potências emergentes estão surgindo. Brasil e Irã estão entre esses países", diz Shaterzadeh.

Segundo ele, Brasil e Irã são países "fortes e influentes". "É importante que os países em desenvolvimento intensifiquem suas relações", diz.

De acordo com o embaixador, a visita de Ahmadinejad ao Brasil não foi prejudicada com a nota divulgada pelo governo brasileiro, no qual se diz "preocupado" com o discurso do presidente iraniano durante uma conferência das Nações Unidas sobre o racismo.

Na ocasião, o presidente Ahmadinejad descreveu o governo de Israel como "racista" e o Holocausto como "pretexto" para proteger os judeus.

Para o embaixador do Irã, o governo brasileiro tem o "direito natural" de expressar suas posições sobre grandes questões. Mas que o assunto não está na pauta do encontro de quarta-feira.

A seguir, trechos da entrevista do embaixador Mohsen Shaterzadeh à BBC Brasil.

BBC Brasil - Essa é a primeira vez que um chefe de estado iraniano faz uma visita oficial ao Brasil. Por que agora?
Embaixador - É preciso deixar claro que as condições mundiais mudaram. O unilateralismo passou. Estamos diante de um mundo sem lados, sem polos. E nesse novo mundo, baseado na ideia de multilateralismo, novas potências emergentes estão surgindo, e o Brasil e o Irã estão entre esses países.

Outro ponto que é importante enfatizar é que, nesse mundo multilateral, as cooperações Sul-Sul estão entrando em uma nova fase, baseada nos recursos internos desses países.

Mas o terceiro ponto e mais importante são as visões em comum que os dois presidentes têm sobre diversos assuntos. Esse é um elemento muito forte e que justifica estabelecer um diálogo entre Brasil e Irã.

Essas semelhanças se encontram, por exemplo, na ideia de justiça social, no combate à pobreza e na luta contra políticas colonizadoras modernas. Além disso, há semelhanças entre os dois presidentes no sentido de criar uma nova ordem mundial, uma nova ordem nas instituições internacionais. Essas semelhanças justificam a aproximação e um diálogo entre os dois países.

Além disso, a política externa iraniana, especialmente durante o mandato do presidente Ahmadinejad, coloca ênfase especial no relacionamento com países da África e da América Latina. E também encontramos esse ponto semelhante na política externa do presidente Lula, de desenvolver as relações do Brasil com a África, com Oriente médio, com países da Ásia.

BBC Brasil - Como será essa visita?
Embaixador - A comitiva que acompanhará nosso presidente ao Brasil é composta por mais de 110 especialistas, em diversos campos econômicos. Esse grupo representa 65 empresas, além de instituições e ministérios, em 23 diferentes áreas, como petróleo, gás, seguros, comércio, indústria alimentar e pesquisa.

Os técnicos chegam dois dias antes e têm reuniões setoriais com suas contrapartes brasileiras, em São Paulo. Na quarta-feira, quando os dois presidentes se reúnem, eles terão um relatório sobre as negociações feitas pelos dois grupos.

BBC Brasil - De quem partiu a iniciativa para esse encontro?
Embaixador - A iniciativa foi das duas partes. Durante um encontro no Equador, para a posse do presidente Rafael Correa, os presidentes Lula e Ahmadinejad falaram em incrementar as relações. A partir daí começou um processo diplomático.

BBC Brasil - O presidente Ahmadinejad vem desenvolvendo uma relação bastante próxima com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. É esse nível de relacionamento que se espera entre Brasil e Irã?
Embaixador - Se me permite, quero dar um pouco uma explicação sobre a relação entre Venezuela e Irã. São países que pensam no bem-estar da sociedade, como também no relacionamento entre países.

Esse é um ponto que orienta nossas relações em nível mundial: a seriedade e a sinceridade.

Nossas relações com países da América Latina, Oriente Médio, África, e outros asiáticos, hoje em dia está se desenvolvendo bastante. E essa relação também se baseia nos princípios da revolução islâmica, para o bem-estar do povo.

BBC Brasil - Mas o nível de relacionamento que existe entre Irã e Venezuela pode ser atingido com o Brasil?
Embaixador - Isso só o futuro dirá.

BBC Brasil - Um dos principais assuntos na pauta desse encontro será o comércio bilateral. O Irã tem um déficit comercial muito grande com o Brasil. Vocês pretendem abordar esse assunto?
Embaixador - O equilíbrio comercial não é algo que podemos impor. É certo que a relação comercial entre Brasil e Irã é desequilibrada, mas isso quer dizer que podemos aproveitar as potencialidades que cada um tem. Certamente se os dois países se aproveitarem de toda a potencialidade que existe, no sentido de completar um ao outro, aí sim, penso que nós vamos chegar a um equilíbrio nas relações.

Certamente esse desequilíbrio existe na relação comercial, mas se conseguirmos completar isso com outros pontos, como através do investimento, dos projetos de cooperação industrial e em tecnologia, sim, nesse ponto penso que podemos criar um equilíbrio nas relações bilaterais entre os dois países.

Eu diria que estamos em uma fase de descobrimento dessas potencialidades entre o Irã e o Brasil.

BBC Brasil - O senhor acredita que o Brasil pode, ainda que no futuro, ser uma espécie de intermediador entre o governo do Irã e outros países, como por exemplo, os Estados Unidos?
Embaixador - Esse assunto não está incluído na agenda entre as duas partes. Se houver algum diálogo, no futuro, entre Irã e os Estados Unidos, certamente esse diálogo será direto, baseado nos princípios de respeito mútuo e de não-intervenção. E também, o mais importante, baseado em alterações no comportamento de cada um.

BBC Brasil - O Itamaraty divulgou uma nota, recentemente, mostrando "preocupação" em relação ao discurso do presidente Ahmadinejad, em Genebra, durante a conferência sobre o racismo. Como o senhor viu esse comentário do governo brasileiro?
Embaixador - Esse é um direito natural do Brasil e de qualquer país que expressa suas posições sobre grandes questões. Nossa abordagem é de que a nota enfatizou o interesse brasileiro em concretizar a visita. Nossa ideia sobre a nota do Itamaraty é nesse sentido, de que nenhum elemento poderia interferir na concretização dessa visita, uma visita importante e que foi programada há muito tempo.

Quero também aproveitar para dizer que nós desmentimos uma notícia publicada, de que teríamos sido chamados ao Itamaraty para tratar do assunto (do discurso). Nunca houve conversas entre a embaixada e o Itamaraty sobre esse ponto. O que houve foi muita colaboração entre as duas partes, nas últimas semanas, no sentido de programar a visita.

BBC Brasil - A nota do Itamaraty diz que o assunto (o discurso do presidente Ahmadinejad) será tratado no encontro entre os dois presidentes. O assunto está na pauta?
Embaixador - Não. Mas certamente a posição oficial do Itamaraty, quem tem de falar é o Itamaraty.

BBC Brasil - Mesmo não estando na pauta, caso o Itamaraty venha a propor o assunto, os senhores estão abertos para conversar sobre isso?
Embaixador - Esses não são assuntos bilaterais.

BBC Brasil - Alguns setores da sociedade brasileira criticam o encontro. O que o senhor diria para esses críticos?
Embaixador - Uma característica de uma sociedade aberta é que todo mundo fala. Isso é muito natural. Existe uma diferença cultural, mas existem também muitos pontos de vista em comum. Por exemplo, os grandes movimentos de procura por justiça social e de luta contra a pobreza.

É importante frisar a ideia de que são dois países soberanos, que têm independência nas tomadas de posição e de decisão em nível internacional. E é bom enfatizar a ideia de que os dois países estão à procura de um papel importante em nível internacional para si e para os países em desenvolvimento. O mais importante ainda, o interesse em estabelecer a paz e a tranquilidade do mundo são ideias muito fortes e nós temos que pensar nesses pontos em comum e não nos atritos.

Penso que, se houver alguns grupos sinceros, para apresentar suas diferenças, e se existir sinceridade em expressar essas ideias, nós podemos estabelecer o diálogo, baseado nos interesses das nações. De nossa parte, podemos preparar o terreno para um contato entre intelectuais, cientistas e pensadores dos dois países. (BBC Brasil)

Repórter: Fabrícia Peixoto